terça-feira, 15 de junho de 2010

Sustentabilidade: Se é mal divulgada, é mal compreendida.

Divulgado nas páginas e telas da mídia brasileira, o conceito de sustentabilidade tem sido intensamente discutido, mas não compreendido. Quando se fala em ações sustentáveis, logo se apresentam instituições que realizam projetos ecologicamente corretos, o que está correto, porém incompleto. Neste caso, os meios de comunicação assumem papel fundamental na disseminação do real conceito de sustentabilidade. Os comunicadores deixam de ser apenas transmissores de informação, mas sim educadores e esclarecedores sobre o assunto.
Que a sustentabilidade está associada à problemática ambiental é fato, o problema está em tratar a questão apenas por este ângulo. Uma sociedade sustentável deve ser muito mais do que ecologicamente correta, é preciso também assumir características economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente aceitas. Segundo o jornalista e professor da Universidade de S. Paulo Wilson da Costa Bueno, “a sustentabilidade legítima, tem a ver com a redução da pobreza, com os direitos das crianças e adolescentes, com o acesso à educação e ao trabalho, com a solidariedade, com o respeito à diversidade e à liberdade de expressão”.
Em 2007, uma pesquisa realizada pelo instituto DATABERJE com comunicadores de empresas, fundações e institutos ligados à Associação Brasileira de Comunicação Empresarial e ao Grupo de Instituto, Fundações e Empresa mostrou que a mídia é tida como formadora de opinião quanto o assunto é sustentabilidade. Durante três meses, contabilizou 256 matérias sobre o assunto nos dez jornais que participaram da amostra e dezoito reportagens nas cinco revistas pesquisadas. Os resultados mostraram que 38% das matérias citam a Amazônia, o biocombústivel, desmatamento e o crédito de carbono e 42% do material analisado integra aspectos ambientais, sociais e econômicos, mas será que os consumidores destas informações sabem que estes assuntos que permeiam a sociedade fazem parte da questão ambiental? É ai que entra o papel do comunicador, não basta apenas identificar que a mídia citou a sustentabilidade, mas sim verificar se o conceito foi entendido pelo leitor. Os meios de comunicação precisam atuar como educadores e esclarecedores sobre a questão, se são formadores de opinião é preciso agir como tal. Uma vez que não adota uma perspectiva crítica, a mídia acaba jogando o conceito de sustentabilidade de um lado para o outro, implicando em julgamentos difusos que não agregam valor algum à informação.
Portanto, em sua formação profissional os comunicadores de plantão devem munir-se de conhecimento e buscar novas propostas para disseminarem o real sentido da sustentabilidade, a comunicação não apenas divulga, mas informa e dita tendências. Quando um tema é tratado pela metade, seu sentido cai por terra e acaba por gerar opiniões incompletas. Se a sociedade não sabe o que é ser sociosustentável, não terá condições de propor ações do tipo. Quando empregado corretamente, o conceito de sustentabilidade indica possíveis caminhos a serem trilhados e convida a todos à uma ação conjunta em busca de uma sociedade sustentável.

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